Ainda falando sobre a Vera Regina, minha amiga e personagem da crônica do dia 15 de setembro, não é que ela fosse burra mas, coitada, era muito crédula e desligada. Vivia feliz na sua inocência e se o marido não tivesse largado dela para assumir o romance com a Aline, sua secretária, até hoje as duas teriam a maior amizade.
Sofreu um bocado com o abandono mas, acabou dando a volta por cima, após ter conhecido, numa boate em Campinas, o Henrique, um arquiteto gaúcho e macho pra cacete. Ela estava na cidade por conta de um curso de preparações para gerentes, chamado "Gestores do Amanhã". Pretendia sair de Brasília e trabalhar em alguma agência do interior de São Paulo.
Quando ela ouviu o nome dele, quase desistiu da paquera: _ Ah, não! Outro Henrique é demais...
Mas, aquele sotaque cantado e másculo a enfeitiçou e ela, enlevada, entrou de cabeça no relacionamento. Veio para São Paulo e assumiu uma gerência no interior. Quando havia reuniões, a gente viajava sempre juntos e por sermos amigos desde Brasília, ele confiava em mim, contando-me fatos de sua vida.
Contou-me que assim que se conheceram, foram passar o natal na casa dos pais dele, em Encantado, uma pequena cidade situada às margens do rio Taquari, no interior do Rio Grande do Sul. O pai dele, um alemão grandão, estava meio esclerosado e quase não se levantava da cama. Conseguia andar, com muito custo e com o auxílio de uma bengala.
Depois da ceia, enquanto todos dormiam, os dois, meio borrachos, resolveram tomar banho juntos. A Vera, distraída como sempre, esqueceu-se de trancar a porta e apenas puxou a cortina do box, que era de plástico. De repente, ouviram o tóc tóc da bengala e os passos arrastados do velho que entrava no banheiro, rosnando consigo mesmo: _Quem foi o f.d.p que deixou a luz acesa!
Com o chuveiro já desligado, os dois tiritavam de frio, segurando a respiração, enquanto o homem fazia xixí . E o pior é que xixí de velho demora! É aquela mijadinha entrecortada e interminável. A Vera Regina teve que tapar a boca do namorado, que estourava de vontade de rir.
Assim que o pai saiu do banheiro, não sem antes apagar a luz, o Henrique correu a encostar a porta. Nisso, ouviu os passos trôpegos, voltando ao banheiro. Mal teve tempo de esconder-se atrás da porta. O velho, escorando-se no batente, virou a bunda para dentro do banheiro e soltou dois sonoros puns, daqueles bem compridos, semelhante ao som de gás saindo das bexigas de festa. Dessa vez, a gargalhada foi inevitável.
O pobre gaúcho, meio surdo, pensou que o riso vinha do quarto e exclamou: Bah ! Ainda estão de pândega... Más que guri valente, tchê !
A receita será de uma rosca, baseada na rica culinária das colônias alemãs, do sul do país.
ROSCA ALEMÃ: 1 lata de leite condensado; 1 xícara e meia de leite morno; 2 tabletes de fermento biológico [30 gramas]; 1 kilo de farinha de trigo; 5 ovos; 250 gramas de margarina; 1 xícara [chá] de nozes ou castanhas do Pará ou de caju, moídas; 1 xícara de uvas passas sem caroço, embebidas em rum e raspas da casca de 1 limão.
Desmanche o fermento em 1 xícara de leite morno e 1 xícara e meia de farinha [consistência de mingau grosso]. Deixe fermentar até formar bolhas e dobrar de volume. Acrescente os demais ingredientes e amasse com as pontas dos dedos até desgrudar das mãos. Sove bastante [se necessário, junte mais farinha] e acrescente as nozes e uvas passas. Divida a massa em duas e faça duas tranças Deixe crescer por umas 2 horas, ou até dobrar de tamanho. Pincele com gemas e asse em forno quente [200ºC] por meia hora ou até dourar.
CALDA: misture açúcar de confeiteiro com leite ou suco de limão ou laranja e despeje sobre as roscas, ainda quentes. Se gostar, pode juntar à massa, 1 xícara de frutas cristalizadas.
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